Natalia Viana, olhar independente

O começo da carreira de Natalia Viana não foi muito estimulante. Presa entre quatro paredes numa sala fria de um grande portal da internet, ela tinha que escrever sobre a agitada agenda cultural de São Paulo a partir de releases. Não agüentou. Depois de um mês, pediu demissão. A partir daí, sua vida profissional teve três momentos cruciais que fizeram toda a diferença.

Primeiro, quando topou trabalhar na Caros Amigos com um salário que constituía um décimo do que o do seu emprego anterior. Lá, passou a ter contato com profissionais como Carlos Azevedo, Marina Amaral e, principalmente, Sergio de Souza. “Você tem jeito pra coisa!”, disse o veterano jornalista para a jovem que buscava seu caminho na profissão. Foram quatro anos na Caros Amigos, onde ela finalmente aprendeu a fazer jornalismo de verdade. “Lá eu descobri que podia escrever absolutamente do jeito que eu queria, ter um tempo de apuração. O Serjão nunca reprimiu minha curiosidade. Não acho que isso é melhor ou pior jornalismo, mas é o tipo de jornalismo que eu faço, que eu sou”, afirma.

Em seguida, quando tirou férias para fazer um curso na Bolívia, em 2004, descobriu um novo mundo profissional, o dos jornalistas independentes. “Comecei a entender que poderia fazer o que eu acreditava que deveria ser feito”. E aparentemente era simples. Bastava uma boa idéia de pauta na cabeça e um gravador, um laptop e uma câmera na mão. Começou a fazer grandes reportagens com baixo custo e vendê-las para veículos ao redor do mundo. A semente da Pública estava lançada.

Finalmente, quando viajou para Londres e passou a trabalhar com Centros de Jornalismo Investigativo, novas oportunidades surgiram, como a de trabalhar em dois documentários e, de volta ao Brasil, ser chamada para uma misteriosa reunião com Julian Assange, do site WikiLeaks.

Hoje, pouco mais de um ano depois de ter formalmente iniciado os trabalhos da Pública – juntamente com Marina Amaral –, Natalia Viana continua obstinada pela boa reportagem. Com o apoio da Ford Foundation, a Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo busca ampliar o número de republicadores de suas matérias. Produzidas por repórteres apaixonados pela apuração e que revelam em seus textos um Brasil repleto de injustiças sociais, as reportagens passaram a incomodar alguns setores pouco acostumados à liberdade de imprensa.

“Muitas vezes há ameaças ou ações que são apenas para intimidar o jornalista. Quando sofremos algum tipo de intimidação, comunicamos a diversas pessoas e deixamos claro que não aceitamos isso. Não se pode intimidar jornalistas em pleno século 21 no Brasil. É inaceitável!”, disse, nesta entrevista ao Jornal da ABI, a jornalista que adora falar de seu trabalho com um sorriso nos olhos.

CLIQUE AQUI para ler a entrevista, publicada no Jornal da ABI 381, de agosto de 2012.

Anúncios

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s