Ana Arruda Callado, uma mulher de sorte

Nascida numa família numerosa, mas muito unida, Ana Arruda considera que teve muita sorte na vida. Seus pais eram pessoas à frente de seu tempo; viveu uma infância rodeada de livros, liberdade e muitos irmãos e irmãs. Ela foi a 12ª de uma turma de quinze. Quando sua família saiu do Recife para se estabelecer no Rio de Janeiro, morou numa bela casa no Jardim Botânico, que era o seu “quintal”. Depois, o pai comprou uma fazenda em Araruama, onde parte da família passou a viver.

Aluna exemplar de Matemática, escolheu fazer Jornalismo para desgosto do pai e de sua professora. E se apaixonou definitivamente pela profissão quando entrou pela primeira vez em uma oficina de jornal. Mais exatamente na Última Hora, de Samuel Wainer. Ficou encantada! Era esse o ambiente onde ela queria trabalhar.

Formou-se em Jornalismo, mas recebeu uma dica do então Chefe de Reportagem do Jornal do Brasil, Wilson Figueiredo, logo em sua primeira semana de trabalho: “Não conta que você fez curso de Jornalismo, porque vão rir de você. Aqui ninguém fez curso de Jornalismo”. Trabalhou no principal jornal do País no período que considera a grande fase do JB até hoje. “A gente acreditava que estava trabalhando para informar a população, não para agradar o chefe, nem o patrão”.

Feminista, sempre lutou para que as mulheres sejam cidadãs de primeira classe igual aos homens. Foi a primeira mulher a ser Chefe de Reportagem de um grande jornal. Participou também de um projeto inspirador: o jornal-escola O Sol, de Reynaldo Jardim. Começou a namorar o escritor Antônio Callado – a grande paixão de sua vida – em tempos tenebrosos. Foi presa e humilhada no Doi-Codi. Julgada na época da ditadura, foi absolvida num processo kafkiano.

Nos últimos anos tem se dedicado a escrever biografias – que ela chama de perfis – de mulheres de destaque na História do Brasil. Agora finaliza seu mais recente projeto – a fotobiografia de Antônio Callado – e sonha, um dia, em voltar a morar em Araruama, num sítio que ela comprou junto com o irmão. “Nós temos patos, marrecos, três vaquinhas e meu irmão faz queijo”. É um retorno à infância. Ela merece.

Ana Arruda Callado recebeu os jornalistas Paulo Chico e Francisco Ucha em sua residência no final de fevereiro. CLIQUE AQUI para ler o resultado desse papo.

Entrevista publicada no Jornal da ABI 388, em março de 2013.

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